Bodes expiatórios

by Luciano

(Publicado no Correio da Manhã, 7/10/2011)

Não sabemos se foi de propósito, mas fazer coincidir a conferência de imprensa do ministro das Finanças sobre a dívida da Madeira com a apresentação pelo INE da execução orçamental do primeiro semestre foi um prodígio de timing político.

Desde então que, nas ruas e nos cafés, se atribui a responsabilidade do “desvio colossal” aos desvarios jardinescos. E pouco importa que o ministro tenha explicado que a responsabilidade da Madeira é de apenas 20%. O resto são pecados continentais: vencimentos dos funcionários, autarquias e empresas públicas.

O bode expiatório da Madeira dá muito jeito: ao PS, que sacode uma responsabilidade quase toda sua; e à coligação PS-PSD, que sacode a responsabilidade futura. Claro que o estilo grosseiro de Jardim contra o “continente” também dá um motivo de vingança. E sabe tão bem fazer de alemão contra os ilhéus!

No outro dia, o ministro das Finanças grego explicou que a Grécia não podia ser o bode expiatório da zona euro. Pois a Madeira não pode ser o bode expiatório de Portugal. Eis uma ideia a reter para quando alguém quiser fazer de Portugal também o bode expiatório da crise europeia e mundial.

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